De todos os negócios prejudicados em 2020, os shows, eventos em geral e  casamentos foram os primeiros a entrar na lista de impedimentos por conta da pandemia do coronavírus (Covid-19). 

O cenário é de incertezas e 2020 pode ser considerado o ano com a maior crise da história do setor de shows e eventos. Festivais internacionais famosos como o Coachella e o Glastonbury foram adiados, por exemplo, deixando de arrecadar milhões de dólares. 

É importante destacar que os eventos são uma das atividades econômicas mais importantes do Brasil, pois representam 13% do PIB e movimentam em torno de R$ 936 bilhões na economia todos os anos.

Com o isolamento social, todo o setor foi impactado. E este mercado também assegura emprego de milhares de pessoas: produtores culturais, músicos, designers, serviços gerais, segurança, diretores de shows, empresas de aluguel de equipamentos de som e luz… A lista é gigante. 

Com as restrições impostas pela nova realidade, empreendedores do setor de shows estão preocupados em como poderão dar a volta por cima, depois que tudo isso passar.

Mas o show tem que continuar, já disse certa canção do Fundo de Quintal. Se você faz parte desse meio, continue aqui, pois vamos dar algumas dicas para que você tenha renda garantida durante a crise.

A palavra de ordem é: reinventar!

Artistas de todo o mundo acabaram se reinventando neste período de pandemia, realizando shows em Lives (aparições ao vivo, transmitidas por plataformas na internet). Marília Mendonça, Gusttavo Lima, Leonardo, Anitta e Ivete Sangalo foram alguns dos artistas brasileiros que se renderam aos encantos das transmissões ao vivo. 

E de onde vem o rendimento desses cantores? Somente com um show, Marília Mendonça faturou R$1.500.000, oriundos de patrocinadores que pagaram para aparecer em sua live. A dupla sertaneja Matheus e Kauan até idealizou um aplicativo próprio para transmissão de shows ao vivo, num apurado senso de oportunidade, visto que nem todas as plataformas - o Youtube, por exemplo - aceita, exibição de marcas e comerciais. 

Marilia Mendonça

Para garantir renda extra, cantores também estão incentivando os fãs a ouvir as músicas nas plataformas de streaming, compartilhar com amigos nas redes sociais e comprar produtos como camisetas e bonés. Alguns fãs não fizeram ressarcimento de compra de ingressos para eventos adiados, como sugeriu a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), ajudando assim os artistas a amenizar os efeitos da crise.

Já no lucrativo mercado de festas de casamento, que chegava a movimentar mais de 17 bilhões de reais por ano no Brasil, as medidas de isolamento causaram uma queda vertiginosa, abatendo cerca de 40% da receita anual prevista para cerimonialistas, empresas de buffet, floristas e vários outros profissionais envolvidos nas celebrações. 

Segundo pesquisa do site de casamentos iCasei, 61% das cerimônias matrimoniais marcadas para o primeiro semestre de 2020 mudaram de data. Os casais que preferiram manter a data tiveram de optar pela cerimônia virtual.

O iCasei também entrevistou os fornecedores de serviços relacionados ao setor de casamentos, e a queda de novos contratos (50%) e os cancelamentos (16%) são os principais fatores que os impactam economicamente, indica a pesquisa. 

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5 maneiras de ter renda garantida no período de pandemia

O setor de shows e eventos pode até estar em desvantagem no meio desta crise toda, mas o importante é que existem alternativas que podem ser úteis e gerar renda durante a pandemia. Se você empreende nesta área, veja 5 maneiras de conseguir dinheiro neste período.

#1 Realize shows ao vivo por streaming

Muitos artistas estão aderindo às lives em plataformas digitais. Este tipo de ação pode gerar renda, você sabia? Basta colocar um link de PayPal.me ou de Venmo na descrição do seu evento, e incentivar as pessoas a doarem dinheiro durante a apresentação dos músicos. Outra opção é buscar patrocínio de marcas, tal como fazem os artistas de nível nacional e mundial. 

Veja as opções de plataformas e de ferramentas para fazer shows em streaming:

Ao organizar um show ao vivo por streaming, preze pela qualidade do som, mas lembre-se que o formato não exige uma super produção, e sim algo mais descontraído. Muitos artistas fazem live até mesmo no quarto. O importante é interagir com o público e demonstrar autenticidade.  

Algumas plataformas permitem que uma live seja feita com várias pessoas diferentes, então é possível organizar duetos ou até mesmo reunir músicos de vários lugares do mundo para apresentações online. O céu é o limite!

#2 Faça crowdfunding

Uma das maneiras de gerar renda durante o período de pandemia é através do financiamento coletivo, ou crowdfunding. Por meio de uma plataforma colaborativa, artistas e espetáculos podem garantir renda oriunda de vários apoiadores, que doam dinheiro e esperam pela realização do show. É como se fosse uma “vaquinha”, onde várias pessoas se juntam e colaboram para a realização de uma ação ou evento, através da internet. 

A dinâmica ocorre da seguinte forma: o organizador do evento apresenta a data do show e o valor necessário para arrecadação, definindo uma data limite para o fechamento da ação. Assim, os apoiadores podem contribuir com dinheiro, e se o projeto conseguir o financiamento completo, o site de crowdfunding recebe uma determinada comissão.

Veja algumas plataformas de financiamento coletivo do Brasil:

Catarsehttp://catarse.me/pt

Incentivadorhttp://www.incentivador.com.br/

Benfeitoriahttp://www.benfeitoria.com/

Queremoshttp://www.queremos.com.br

Vakinhahttp://www.vakinha.com.br/

#3 Ofereça vouchers e promoções antecipadas

O segmento de shows e eventos sofreu impacto econômico com a pandemia, mas os bares e casas de eventos puderam sentir os efeitos da crise de forma mais imediata. Com as portas fechadas, uma das soluções para manter os rendimentos e pagar os funcionários e o aluguel do espaço é a venda de vouchers (cupons) do tipo “compre agora e consuma depois”. 

Ou seja, os consumidores podem comprar vouchers e consumir o valor pago quando o estabelecimento reabrir. Se você é empreendedor do ramo, crie cupons que oferecem uma vantagem ao cliente pela compra antecipada, como por exemplo, um desconto de 50% (“compre R$ 100 em produtos e pague apenas R$ 50”). Use as redes sociais para divulgação da oferta. Veja um exemplo:

voucher de desconto

#4 Busque novos formatos para shows e apresentações 

Com a flexibilização das atividades em espaços ao ar livre e o distanciamento social controlado, logo alguns eventos poderão ser retomados com o uso obrigatório de máscaras, por exemplo. Em vários países da Europa, os eventos para um número limitado de pessoas já estão liberados. 

Uma das opções que já está fazendo sucesso em países como a Dinamarca e a Lituânia é a experiência dos shows em Drive-In. Neste formato, o público permanece dentro de seus carros, ouve as músicas por meio de uma frequência de rádio FM local e até consegue interagir com o artista utilizando a plataforma Zoom. 

show drive-in

#5 Crie encontros menores e personalizados

Como já dissemos, a palavra de ordem é: reinventar. É o que se pode fazer em tempos de coronavírus no ramo de shows e eventos, não é mesmo? Veja o exemplo do grupo musical Teatro Mágico. Eles criaram o “Teatro Mágico Experiência”, onde o público participa de uma videoconferência online (com no máximo 20 pessoas) com data e hora marcada. 

No encontro, o vocalista Fernando Anitelli conta histórias e toca o repertório escolhido pelos fãs. Os ingressos custam R$ 50. Ótima ideia que você pode também copiar. 

Em meio às incertezas da economia, não há uma data exata de retorno das atividades 100%. Por isso esteja preparado para voltar a fazer shows e eventos a qualquer momento - mas também prepare-se para o longo prazo. Cuide das finanças, evite a qualquer custo fazer dívidas, negocie prazos e pagamentos com fornecedores e faça o que for necessário para que seu negócio sobreviva. 

Coloque nossas dicas em prática e boa sorte!