Diferença entre marca e patente explicada em minutos

Diferencie corretamente marca e patente, saiba o que fazer para pedir o registro delas no INPI e confira uma lista de erros que você precisa evitar.

Por Alan Marcos 7 min. de leitura

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As proteções de marca e patente são dois tipos de proteção diferentes, portanto, não servem para um empresário ou dono de uma ideia, por exemplo, resguardar as mesmas partes de uma criação que o pertence. Registrar marca é proteger a identidade de um negócio (nome, logotipo etc.). Registrar patente é proteger uma solução técnica.

E eu percebo que muita gente tem dúvida entre que tipo de registro solicitar ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ou sobre quando vale a pena fazer ambas as solicitações, então, escrevi este artigo para trazer algumas observações importantes à superfície.

Aqui, diferencio com clareza marca vs. patente, falo da relação das duas coisas e aponto em que situações cada tipo de registro faz sentido. Espero te ajudar!

Qual é a diferença entre marca e patente?

A diferença entre marca e patente está no tipo de criação que cada uma protege: a marca protege algo que permite que uma ideia seja reconhecida e lembrada, enquanto a patente protege uma inovação técnica, ou seja, o modo como algo funciona.

Marca

O que é? São os sinais usados para identificar e diferenciar alguma criação: nome, logotipo, símbolo, slogan ou combinação desses elementos.

O que o registro protege? A forma como uma criação é reconhecida; o que a diferencia de outras; o que a faz ser associada a uma origem específica.

Por que registrar? O registro de marca é importante para evitar confusões no mercado e entre consumidores quando há criações semelhantes; está ligado a percepção e posicionamento.

Exemplo: a marca que cria uma garrafa que mantém a bebida gelada por mais tempo pode ter seu nome e logotipo registrados no INPI, mas o mecanismo que é responsável pelo “milagre” da bebida sempre fresquinha não entra em cena nesse caso.

Patente

O que é? O conteúdo técnico de uma criação ou inovação; o “como” que a torna diferente das outras; invenções totalmente novas ou melhorias funcionais aplicadas a soluções já existentes.

O que o registro protege? O modo como uma criação funciona; aquilo que torna uma ideia tecnicamente única (novidade); sua aplicação prática.

Por que registrar? Um registro de patente evita que terceiros tomem posse da solução técnica em questão, utilizando-a como se fossem suas.

Exemplo: O mecanismo técnico que faz com que a garrafa “milagrosa” do exemplo anterior se diferencie no mercado, responsável pela preservação da água sempre gelada, é algo que pode ser protegido como patente.

Observação extra!

Patente é um bem ou um direito? A patente não é um bem físico, mas um direito de exclusividade concedido por tempo determinado. Esse direito permite controlar o uso da solução técnica criada, inclusive por meio de licenciamento ou cessão.

A patente, portanto, não é permanente e exige atenção ao longo do tempo, justamente porque foi pensada para proteger a inovação por um período específico, sem impedir o avanço de novas soluções.

Estou repetitivo, mas acho importante deixar tudo bem alinhado! Aliás, aproveito a oportunidade para reforçar: marca e patente não competem entre si, afinal, estão em camadas diferentes de uma criação. Entender isso vai ser essencial para você escolher o tipo certo de registro no INPI.

E não confunda nem uma coisa, nem outra, com um terceiro conceito – o de copyright, que não protege nomes ou soluções, mas funciona sobre obras intelectuais, como textos, músicas, ilustrações etc. e cujo pedido de registro acontece através de outro órgão.

Como registrar marca e patente?

Embora os dois tipos de registros sejam feitos através do site do INPI, o ponto de partida é diferente para cada um: o pedido de registro de marca começa pela definição da identidade da marca propriamente dita, enquanto o pedido de registro de patente depende de uma avaliação técnica da solução.

A seguir, trouxe para você o how to de cada processo.

Passo a passo para registrar marca

A jornada do registro de marca no INPI é, em geral, mais “documental” do que técnica: o foco está em verificar se o seu sinal cumpre as regras e se não entra em conflito com marcas anteriores, especialmente dentro da mesma classe de produtos/serviços.

  1. Defina o sinal da marca, ou seja, o que vai ser registrado
  2. Decida se a marca será nominativa, figurativa ou mista (tipo)
  3. Escolha a classe correta para a sua marca seguindo a Classificação de Nice
  4. Antes de entrar com o pedido no INPI, faça uma consulta de anterioridade
  5. Então, cadastre-se no INPI e acesse o sistema e-Marcas
  6. Emita e pague a GRU antes do protocolo
  7. Protocole online o pedido de registro de marca preenchendo o formulário
  8. Acompanhe as informações da revista do INPI
  9. Se solicitado, retorne às solicitações do órgão dentro dos prazos
  10. Depois de ter o pedido de registro deferido, emita seu certificado

A vigência do certificado de registro de marca é de 10 anos contados a partir da data da concessão e pode ser renovada por períodos iguais.

Passo a passo para registrar patente

O registro de patente tem bem mais cara de “coisa de engenharia” do que o de marca, porque o INPI já começa a dar andamento no pedido avaliando se a solução técnica apresentada realmente merece exclusividade.

Além disso, depois do depósito, o pedido normalmente fica em sigilo por vários meses e, depois, cabe a quem está fazendo a solicitação, solicitar ao INPI um exame técnico para seguir em frente.

Complexo, mas não impossível, tá?

  1. Avalie se sua criação é patenteável e faça uma busca de anterioridade também
  2. Defina se ela será uma Patente de Invenção (PI) ou um Modelo de Utilidade (MU)
  3. Redija o pedido de registro com nível técnico – relatório, reivindicações, desenhos, resumo –, pensando que o texto define exatamente o que será protegido
  4. Cadastre-se no INPI
  5. Emita e pague a GRU
  6. Use o sistema e-Patentes para protocolar sua solicitação
  7. Acompanhe o período de sigilo e a publicação de informações na RPI
  8. Peça o exame técnico dentro do prazo de até 36 meses a partir do depósito
  9. A partir do 24º mês do depósito, comprometa-se com o pagamento de anuidades
  10. Atente-se, ainda, às exigências técnicas que podem aparecer e precisam ser atendidas dentro do prazo estabelecido pelo órgão

Se o INPI decidir pelo deferimento do seu pedido, aguarda a expedição da chamada “carta-patente”, que comprova o registro da sua criação.

É possível pedir registro de marca e de patente ao mesmo tempo?

Sim, inclusive para o mesmo negócio ou produto, mas não para proteger a “mesma coisa”.

Se você tem um produto com tecnologia própria e com um nome/logotipo forte, faz sentido pedir os dois registros ao INPI: a patente blinda a solução técnica; a marca blinda a identidade comercial.

Mas cuidado para não fazer confusão! Não se patenteia nome/logotipo, nem se registra como marca aquilo que é solução técnica! Aliás, deixa eu aproveitar e catalogar alguns erros comuns para você evitar.

Erros comuns ao registrar marca/patente e como evitá-los

Garanta que você não comprometa o seu pedido por falhas evitáveis. Às vezes, a ideia é ótima, mas o processo é conduzido sem estratégia e todo o investimento de tempo e dinheiro acaba perdido.

No registro da marca, cuidado com:

✗ Escolha errada de classe

✗ Busca superficial de anterioridade

✗ Preenchimento inconsistente do formulário

✗ Perda de prazos e solicitações

No registro de patente, não escorregue nos seguintes aspectos:

✗ Depositar sem avaliar corretamente se a solução é patenteável

✗ Não fazer busca de anterioridade no estado da técnica

✗ Redigir reivindicações mal estruturadas

✗ Não solicitar o exame técnico dentro dos 36 meses

✗ Deixar de pagar anuidades

Entenda que você não está cumprindo apenas com uma formalidade burocrática, mas tomando uma decisão estratégica que impacta no futuro (até a longo prazo) de algo que lhe pertence.

Fico feliz por você ter permanecido neste conteúdo até o final! Proteger sua criação começa com clareza, e agora tenho certeza de que o caminho será mais acertado – e assertivo!

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