
No mundo dos negócios, ter uma solução inovadora é apenas metade do caminho rumo ao sucesso. A outra metade é garantir o registro dessa inovação, o chamado “registro de patente”.
“Tive uma ideia brilhante! Posso registrar?”. “E se eu não registrar, alguém copiar e lançar antes de mim?”.
Vou responder essas e outras perguntas no decorrer deste artigo, mas já lhe adianto: acabaram os espaços para amadorismo, e ou você vira dono legal da sua criação, se ela estiver “nos conformes”, ou vai estar trabalhando de graça para a concorrência.
Use as informações contidas aqui como um mapa definitivo rumo ao registro, aprendendo, inclusive, como fazê-lo sem burocracias excessivas e com mais chances de consegui-lo logo de cara!
O que é o registro de patente e por que fazer?
Quem tem um registro de patente tem, em mãos, uma espécie de “título de propriedade” de sua invenção ou inovação, podendo fabricá-la ou vendê-la com exclusividade por um prazo determinado.
É aquela pessoa que passa meses ou anos debruçada sobre um problema até que, finalmente, encontra uma solução para ele que ninguém nunca tinha pensado – e que vai atrás de garantir que essa solução lhe pertence!
O registro de patente, portanto, garante ao inventor a tranquilidade de ser o único a explorar sua criação por anos, sem que ninguém possa copiá-la e vendê-la por um preço menor ou com outros atributos “marketeiros”.
Mas existem outras vantagens de fazê-lo.
4 motivos para você registrar patente
Nunca vou cansar de dizer: o registro de uma patente transforma um esforço intelectual em uma propriedade comercial. Só ele garante:
- Exclusividade – você é o único que pode fabricar ou vender a solução por anos
- Monetização – há possibilidade de sua tecnologia ser licenciada por royalties
- Segurança jurídica – você consegue combater quem usa sem autorização
- Valorização – patentes são ativos que atraem investidores
Ao registrar sua patente no INPI, enfim, você está protegendo a forma como a invenção funciona, e transformando sua ideia em um ativo de propriedade industrial que pode ser vendido ou licenciado.
Como funciona o registro de patente?
Depois que você tem certeza de que criou algo que pode ser patente, você deposita o pedido de registro no INPI com toda a documentação técnica da invenção, e o órgão publica esse pedido para conhecimento público.
Aí, cabe ao INPI realizar uma análise formal do seu pedido e, posteriormente, um exame técnico detalhado da sua criação para verificar se ela realmente cumpre os requisitos legais de patenteabilidade (novidade, atividade inventiva e aplicação industrial).
Se todos os critérios forem atendidos e não houver impedimentos, a patente é concedida.
Cada uma dessas etapas tem regras próprias, prazos específicos e possibilidades de exigências técnicas feitas pelo INPI, pontos que detalho mais à frente junto com um passo a passo completo a ser seguido.
Registro de patente é o mesmo que registro de marca? E de software?
Cuidado com a confusão! Todos esses formatos diferem uns dos outros, e entender a diferença entre marca e patente será o primeiro passo para uma proteção eficiente da sua propriedade.
Simplificando para você:
- Registro de marca – protege identidade (nome, logotipo etc.)
- Registro de patente – protege funcionalidade e tecnologia
- Registro de software – protege código-fonte (explico melhor em outro artigo!), mas pode integrar uma patente
No mais, registro de marca e de patente podem acontecer de forma simultânea quando aspectos diferentes de um mesmo produto ou de uma mesma tecnologia precisam ser protegidos. Tudo certo até aqui?
Quais tipos de patentes podem ser registradas no INPI?
O INPI permite que inventores registrem Patentes de Invenção (PIs) ou Modelos de Utilidade (MUs).
Patente de Invenção (PI)
É para proteger criações totalmente novas que resolvem um problema técnico de forma inédita. Faz sentido quando a inovação apresenta novidade real, atividade inventiva e aplicação industrial. Prazo de proteção: 20 anos.
Modelo de Utilidade (MU)
Protege melhorias funcionais feitas em algo que já existe, portanto, aplica-se quando uma criação/invenção modifica ou aperfeiçoa um objeto já criado e conhecido, agregando ganhos práticos a sua utilização. Prazo de proteção: 15 anos.
Escolha uma opção e dê entrada à sua solicitação!
Como fazer registro de patente?
O registro tanto de patentes quanto de marcas no Brasil é, obrigatoriamente, realizado através do INPI, através do site oficial do órgão.
- Antes de preencher o formulário do INPI, faça uma busca de anterioridade para garantir que sua ideia é realmente inédita
- Determine também que tipo de registro você vai solicitar (PI ou MU)
- Cadastre-se no site do INPI e preencha o relatório descritivo da sua inovação
- Tome cuidado com os detalhes do seu texto, descrevendo exatamente como a sua criação resolve o problema que resolve e como funciona técnica e mecanicamente
- Defina suas reivindicações, ou seja, liste exatamente o que você quer tornar exclusivo: o funcionamento técnico da invenção, componentes ou elementos estruturais, processo ou método, interação de elementos e efeito final, variações, versões etc.
- Gere a GRU* e pague a taxa de registro de patente cobrada pelo INPI, então, você poderá dar início ao processo, de fato
- Deposite o seu pedido, enviando a documentação pelo portal do INPI
- Acompanhe notícias através da Revista da Propriedade Industrial (RPI) e atenda às possíveis novas exigências feitas pelo órgão
- Atente-se a prazos, manifestações e solicitações, pois, o processo administrativo do INPI é bastante rígido e qualquer escorregada leva ao arquivamento ou indeferimento do pedido
*Fique sabendo! Os valores da GRU podem mudar conforme atualizações na legislação ou em instruções normativas.
Qual o valor para registrar uma patente?
Inventores gastam, em média, entre R$ 5 mil e R$ 15 mil ao longo de todo o processo de registro, considerando as taxas cobradas pelo INPI desde o depósito do pedido até os primeiros anos de manutenção da patente.
Esse valor pode variar de acordo com fatores como a quantidade de reivindicações apresentadas e o pagamento das anuidades ao longo do tempo.
Muitos também somam a esse valor o investimento no trabalho de uma assessoria especializada em propriedade industrial, embora isso não seja obrigatório. Conta com o suporte quem quer garantir uma redação técnica adequada do pedido e evitar perder qualquer manifestação na RPI, por exemplo.
Sobre descontos, destaco: atualmente, somente deduzem 50% do valor total cobrado pelo INPI, pessoas físicas, microempresas (ME), microempreendedores individuais (MEI), empresas de pequeno porte (EPP), instituições de ensino e pesquisa, cooperativas, entidades sem fins lucrativos e órgãos públicos.
Taxas de registro de patente no INPI [2026]
Ao fazer os seus cálculos, considere:
| Taxa | Valor com desconto | Valor sem desconto |
|---|---|---|
| Depósito (fixa) | R$ 130 | R$ 260 |
| Exame (variável) | Entre R$ 435 e R$ 870 Varia conforme o número de reivindicações |
|
| Anuidades (3º ao 6º anos) | R$ 500 | R$ 1.000 |
A partir do 6º ano do depósito, a anuidade aumenta progressivamente, ou seja, quanto mais avançado o estágio da patente, maior tende a ser a taxa.
Acho válido te contar também: o INPI simplificou parte da estrutura de cobranças e eliminou algumas taxas administrativas que existiam anteriormente, como determinadas cobranças relacionadas à expedição da Carta Patente. Legal, né?
E uma última observação! Para obter o desconto de 50%, se você se enquadrar, declare o enquadramento no momento do pagamento da GRU no sistema do INPI e comprove a condição quando solicitado pelo órgão, tá bom?
Vale a pena contratar assessoria para registro de patente?
Sem dúvida, esse é um investimento acertado, não só pela maior segurança durante todo o processo como pela paciência e a aplicação de conhecimentos especializados dos assessores no decorrer de toda a jornada de obtenção do registro, que é longa.
O custo-benefício de se contar com uma assessoria compensa, embora você consiga se relacionar com o INPI sozinho. Pense que a garantia de sucesso aumenta (e muito!) com o apoio técnico que um bom assessor pode lhe oferecer.
Quem entende mesmo de registro de patente:
- Estrutura corretamente as reivindicações da patente
- Consulta anterioridade de forma aprofundada
- Acompanha de perto as exigências do processo
- Responde ao INPI no prazo correto
- Redige o pedido de forma técnica
Reduzindo o risco de indeferimento!
Se você chegou até aqui, já sabe que registrar uma patente não é apenas preencher formulários no INPI. E agora, qual é seu próximo passo?
Deixe seu comentário